QUINTAL

Por: Getúlio Dutra

01/12/2016 - 6:23h

Me deu vontade de voar, sério! Voar lá pra trás, pra tempos antigos com amigos; castigos castigados por bandidos das matinés que morriam no final da fita sob o bater dos pés da gurizada infernal, no assoalho de madeira velha que viraria piso de loja do turco da esquina, que sina!

Vontade de voar pros braços da menina de cabelos negros que abraçava os cadernos num vestido azul-marinho plissado e meias brancas até os joelhos, saindo do colégio das freiras.

O travesseiro me aconselha a esquecer a menina, o assoalho, os bang-bangs e a loja do turco da esquina que era o templo daquelas matinés.

Mas não consigo esquecer a menina dos cabelos negros com seus cadernos e sorrisos que se perdiam na pracinha, não, não consigo.

O quintal da minha casa era meu mundo. Ali te conheci e te roubei do mundo, minha pequena.

Não sabia que precisaria te devolver logo ali.

Melhor não voar mais, hoje.

Amanhã, quem sabe, né?

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