Os Compromissos da Sobrevivência

Por: Paulo Henrique Costa Matos

26/11/2015 - 17:47h

 

 

 

A presidente Dilma Rousseff fez no dia 26 de setembro um discurso na Conferência da ONU para a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015, em Nova York, no qual anunciou compromissos ambientais que o Brasil se comprometerá nos próximos anos. Depois de sucessivas barbeiragens políticas e erros na condução administrativa do Brasil esse parece ser o primeiro acerto no novo mandato da presidente!

 

 

Dentre os principais compromissos apontados pela presidente Dilma para que o Brasil cumpra até 2030 está, no que se refere ao uso da terra e à agropecuária: 1º) – o fim do desmatamento ilegal; 2°) a restauração e o reflorestamento de 12 milhões de hectares; 3°) – a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas; 4)º- a integração de 5 milhões de hectares de lavoura-pecuária-florestas.

 

 

Já na área de energia foram apresentados os seguintes compromissos: 1º) – a garantia de 45% de fontes renováveis no total da matriz energética. Note-se que no mundo a média é de apenas 13%;
2º) – a participação de 66% da fonte hídrica na geração de eletricidade; 3º) – a participação de 23% das fontes renováveis – eólica, solar e biomassa – na geração de energia elétrica;
4º) – o aumento de cerca de 10% na eficiência elétrica, 5º) a participação de 16% de etanol carburante e das demais biomassas derivadas da cana-de-açúcar no total da matriz energética.

 

 

Esses são compromissos não só para o governo Dilma, mas para outros presidentes que ainda virão. Todavia ainda são tímidos, mas muito significativos diante do desafio de se estabelecer a sustentabilidade socioambiental no Brasil e no mundo. Isso porque estamos vivendo em uma encruzilhada histórica onde está colocada uma crise civilizatória e a possibilidade da humanidade chegar ao seu fim por absoluta incapacidade de criar modos de vida que acabem com a cadeia de conflitos sociais e no meio ambiente.

 

 

Os graves acontecimentos ligados à sustentabilidade ambiental demonstram que precisamos urgentemente romper com a era de graves limites ambientais, com destruição de ecossistemas, biomas, poluição do ar, rios, lagos e mares, degradação da natureza e do equilíbrio natural. Diferente do aspecto social, isso é algo irrecuperável se totalmente destruído.

 

 

Vivemos numa era de limites e destruição, que atualmente se aprofunda por causa do aquecimento global, que alguns pseudo-cientistas insistem em dizer que não existe, o uso de manipulação genética de plantas e animais, alteração dos ciclos das águas, extinção de espécimes da natureza e diversos problemas socioambientais provocados por posturas antiéticas relacionadas à vida e a valores humanos, que não auxiliam a fomentar posturas preservacionistas e de respeito à natureza.

 

 

A sociedade tem um papel fundamental no sentido de forçar a mudança do embrutecimento humano quanto às questões relativas ao uso desmedido dos recursos naturais, ao uso de tecnologias poluidoras e sem precaução com o meio ambiente e com o comprometimento da natureza para essa geração e as gerações futuras.

 

 

Sou anti-Dilma e seu desgoverno, mas sei que os compromissos de sobrevivência que ela firmou perante a Conferência da ONU são fundamentais e estratégicos para o Brasil e o mundo, pois somente buscando o fim da insustentabilidade socioambiental poderemos desmontar o embrutecimento humano gerado pelo atual sistema econômico, criando posturas que auxiliem no rompimento da alienação, da mercantilização de todas as relações sociais e das práticas que propiciam insustentabilidades de todo tipo..

 

 

Que a lucidez de Dilma na Conferência da ONU, também seja demonstrada na condução política e econômica do Brasil e que enfim o país tenha um novo recomeço, mais sustentável e humano. Apesar de tudo a esperança é nosso último refúgio.

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