#Intolerância#Tecnologia

Por: Ricardo Almeida

25/01/2016 - 20:43h

Eu ainda me lembro as primeiras vezes que trabalhei com um computador pessoal, aqueles velhos primitivos “386”. Ligávamos e aparecia a tela preta do “Dos”, até iniciarmos aquilo que realmente gostaríamos de fazer demorava alguns minutos, que hoje soaria insuportável. A Internet então, alguém lembra, quando tínhamos que “discar” para o provedor através de nossa linha telefônica normal? A diferença, se comparada com a piores conexões de hoje, creio que soe inimaginável. O pior era encontrar algo e depois de encontrada tentar “baixar” a informação. O mais complicado era quando estávamos fazendo isso e a conexão caia…. Recomeçar era a única opção.

Bem, quem vivenciou esses primeiros tempos da rede mundial de computadores sabe exatamente do que falo, porém devemos lembrar também o como a tecnologia conseguiu disseminar a informação. Imagine se você precisasse ler um assunto que somente existisse em um livro de uma biblioteca na Europa, como fazer isso antes da internet? Quanto tempo demoraria para ter acesso a essa informação se comparada com as possibilidades de hoje?
Que a tecnologia provocou um desenvolvimento a sociedade, creio que ninguém duvide, porém, e naturalmente ela também provoca uma mudança comportamental impressionante. O escritor Umberto Eco afirma que se prolifera nas redes sociais os “idiotas da aldeia”, devido a crescente onda de intolerância.

Na verdade, a tecnologia é a integração exponencial de milhões de pessoas, que a cada dia mais, se agrupam conforme suas crenças e valores e que se afastam de seus contrários. Dessa forma, perdemos o contraponto fundamental e necessário para se criar um senso crítico. Cresce a intolerância, perdemos a paciência com facilidade. Queremos (não me excluo dessa análise) tudo para já e da forma que imaginamos e pensamos, caso isso não ocorra ficamos furiosos.

A própria metodologia que alguns sites e redes sociais utilizam para colocar em sua tela aquilo que você irá ver é um fator que aprofunda o que descrevemos, pois, a tecnologia dos bancos de dados vai mostrar em sua tela aquilo que você normalmente gosta e curte e quase nunca aquilo que não gosta. Isso somente irá reforçar seus pensamento e valores sem a nenhuma possibilidade de ver o contrário e dessa forma mudar de pensamento e aprender outros aspectos de uma questão. Podemos e corremos o risco dessa forma de não evoluir nosso pensamento.

Os algoritmos, que estão por trás dessa tecnologia que seleciona aquilo que o usuário irá ver, na verdade está criando “ilhas de opiniões” que destrói a dialética, destrói a possibilidade de podermos perceber o contrário, as visões diferentes a visão maior. Ficamos presos em nossas próprias crenças, e com certeza não foi assim que o homem evoluiu até hoje.

A democracia também perde quando não aceitamos o pensamento diferente, a sociedade sofre ao não conseguir um múltiplo pensamento. A visão do todo, a visão sistêmica, não pode existir se não podemos observar todos os aspectos de uma questão.

Dessa maneira, precisamos estar sempre dispostos a discutir, debater e tentar entender o pensamento contrário, pois somente assim poderemos continuar a evoluir.

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