Ciúme Patológico

Por: Moyses Chaves

28/06/2016 - 10:13h

O ciúme é uma emoção complexa. Pode ser definido como a percepção da ameaça da perda de uma relação valiosa para um rival real ou imaginário. A expressão do ciúme varia da normalidade à doença, com graus diferentes de intensidade, persistência e percepção.
O ciúme patológico (ou doentio) é aquele que está baseado em crenças falsas que não são abaladas pela argumentação racional. Ele pode ser um sintoma de um transtorno psiquiátrico, como o alcoolismo, o transtorno obsessivo-compulsivo ou o transtorno delirante.

A definição de ciúme patológico deve incluir, sem dúvida, uma suspeita inexplicável relacionada à fidelidade do parceiro que modifica os pensamentos, sentimentos e o comportamento do paciente. A suspeita não é confirmada por qualquer prova real e não só prejudica a vida da pessoa que sofre deste transtorno, mas também afeta o parceiro e o relacionamento. Tentativas para confirmar estas suspeitas são comuns e podem envolver a leitura da correspondência do parceiro, a checagem dos seus trajetos e a contratação de detetives particulares. Freqüentemente, a pessoa enciumada interroga constantemente seu parceiro sobre os eventos que ocorreram em seu dia e sobre os supostos episódios de traição. A evitação de situações que provocam ciúme também é comum. Discussões e acusações também acontecem e podem resultar em violência verbal ou física.

Atualmente, sabe-se muito pouco sobre as origens do ciúme patológico. Uma pesquisa realizada em 1994 mostrou que até 30% dos portadores de ciúme patológico podem apresentar lesões do sistema nervoso central, principalmente lesões do hemisfério direito e das áreas frontais do cérebro. Os dados disponíveis até o momento, permitem afirmar que alguns neurotransmissores como a serotonina estão envolvidos.

O cônjuge é freqüentemente a primeira pessoa a procurar ajuda. Devido ao risco de violência, a avaliação do paciente com ciúme patológico deve ser realizada de maneira minuciosa por um psiquiatra. Ele irá caracterizar a intensidade da crença da pessoa com ciúme em relação à infidelidade do parceiro, fatores provocadores de explosões de ressentimento, acusação ou interrogatórios e as reações do paciente e do cônjuge a estes comportamentos.

O tratamento do ciúme patológico pode envolver tanto o uso de medicamentos quanto de psicoterapia (terapia pela fala) ou combinação destas duas abordagens terapêuticas. A variante delirante do ciúme patológico em geral é tratada com antipsicóticos. Para alguns pacientes, pode ser necessária uma internação hospitalar para preservar o cônjuge de episódios de violência e prevenir complicações. A variante obsessiva é tratada de maneira semelhante ao transtorno obsessivo-compulsivo, com o uso de inibidores seletivos de recaptação da serotonina e terapia cognitivo comportamental.

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