AMOR DE MÃE

Por: Moyses Chaves

21/07/2016 - 17:18h

Quando cuido de pacientes com transtorno mental e solicito a presença de um acompanhante, é quase sempre uma mulher que aparece: esposa às vezes traída, irmã que passou por agressões e, sempre que a saúde permite, a mãe.

O amor feminino é definitivamente diferente. Sentimos dificuldade de entender como algumas mulheres se submetem a seus maridos mesmo sendo humilhadas e até espancadas. Tudo bem que nem sempre há alternativa devido a coação, problemas financeiros etc., mas a mulher tende a suportar mais sofrimentos por amor do que o homem.

Em um dos locais em que trabalhei com pacientes dependentes de álcool, era impossível deixar de notar que só as mães ficavam com os filhos até os últimos momentos, mesmo após várias recaídas, mesmo após ninguém mais acreditar neles. As mães me perguntavam, como se estivessem pedindo, se seus filhos ficariam bem, se havia uma maneira para eles pararem de beber, ainda que isso fosse muito improvável naquele ponto. Poucas vezes vi uma mãe abandonar seu filho, e isto quase sempre ocorre quando há grave falha de caráter ou doença mental (da mãe).

Mas, se as mulheres amam mais e mais intensamente do que os homens (nem todos concordariam), por que isso ocorre? A resposta pode estar na teoria da evolução, aquela mesma que defende que o homem “veio do macaco”. Por esta teoria homens e mulheres teriam papéis diferentes e bem estabelecidos na luta pela sobrevivência. O homem seria mais prático e objetivo, responsável pela busca de sustento para si mesmo, a mulher e os filhos, pela proteção dos mesmos e talvez, mais importantemente, pela multiplicação da espécie. Dentre as características mais valorizadas no homem não estavam a amabilidade e compaixão. A mulher, por outro lado, seria responsável principalmente pela reprodução e cuidados com os filhos, que na espécie humana são especialmente frágeis e dependentes até uma idade mais adiantada. Enquanto a participação do pai pode teoricamente se resumir ao ato de engravidar a mulher, esta fica ligada ao filho muito mais tempo, em uma das relações mais intensas de sua vida. Esta capacidade pode ser em parte explicada por hormônios como a ocitocina. Além de estimular as contrações do útero na hora do parto e a produção de leite, esta substância também participa da ligação afetiva entre mulher e filho.

Diversas doenças psiquiátricas são causadas, agravadas e perpetuadas por problemas nas relações com a mãe ou pela falta desta. Se precisamos do ímpeto,força e energia do masculino, perderemos cada vez mais ao não atentar para o papel inestimável e intransferível do afeto feminino em nossa saúde mental.

Contato: moyseschaves@uol.com.br

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