A LUA

Por: Getúlio Dutra

28/12/2016 - 17:12h

Lá pelo início dos anos 70, Erony – filho do meu tio Vedacyr – e eu, sentados no galpão, tagarelávamos, entusiasmados, pro capataz Liloca, a ida dos americanos até à lua. Ele nos ouvia, atento, segurando a cuia com as duas mãos, acocorado num cepo*.

Nos olhando serenamente, perguntou: “Mas e o que foram fazer esses paisanos na Lua, que mal lhes pergunte? Alguma cousa de serventia?”.

Nos olhamos e saímos de fininho, deixando o Liloca com seu sábio chimarrão, ajeitando a chicolatera** preta no fogo de chão.

Até hoje me faço a mesma pergunta e obtenho algumas respostas, derivadas da minha vivência e capacidade de enrolação.

E assim como o Liloca, dá vontade de perguntar para muitos políticos o que foram fazer lá em Brasília? Tantas boas intenções e planos que não vemos acontecer.

Ah, mas acontece que não encontramos as coisas como deveriam estar. Sinto a minha parca e escassa inteligência insultada quando ouço desculpas desse naipe.

Administrar recebendo tudo pronto e bonitinho é uma fábula de La Fontaine, linda, mas não existe.

Existem profissionais que são especialistas em organizar o caos.

O Celso Roth, por exemplo – e eu não entendo nada de futebol, mas manjo um pouco de administração de pessoas – quando a casa cai chamam quem? O amaldiçoado, retranqueiro, burro Celso Roth.

Aí ele chega, ajeita os boleiros, acalma a torcida, limpa a casa e mandam ele embora, porque em seguida começa a perder e lá se vai o boi com a corda.

Na última vez não deu certo, não é? Passou o tempo dele.

Mas agora a meta é Marte! A Lua já era!

Vamos encaminhar alguns personagens do nosso dia-a-dia para a viagem de ida para o Planeta Vermelho – sem conotações ideológicas políticas ou futebolísticas –  já criei o Bolsa-Marte, que permitirá ao portador não só partir como por lá ficar.

E La Nave Va, tramitando, tramitando, tramitando, torcedor gaúcho!
Desculpa qualquer coisa, não precisava se incomodar, é pouquinho, mas é de coração. Ou apenas decoração.

 

  • Cepo – pedaço de madeira em formato de tábua.
  • Chicolatera – recipiente usado para aquecer a água do mate.

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